sexta-feira, 13 de agosto de 2010

para me caber dentro
do que se diz
o mesmo dentro
apático e lento
preciso estar bem por fora

segunda-feira, 15 de março de 2010

um criador

como guardar só pra mim
se quando me jogo, sou mais eu
é como se a consciência retornasse a mim
e eu, em conteúdo e verso,
coubesse em pequenos vãos
espaços por se consolidarem
conforme meu corpo presente
que se presenteia de tamanha suspensão
ando meio apaixonado:
por ela e pela arte de criar lugares que se pareçam comigo

domingo, 14 de março de 2010

dentro de mim

quando eu voltar
pra dentro de mim
não vai ter dia ruim
vai fazer um sol de raiar
vai ter tempo pra ler
ou então uma noite pra cantar
vou esticar minhas pernas pra colher
vou me permitir querer bem mais do que quis
olhar pra onde eu fui alguém
que hoje sou e fiz
o que era pra ser feito tão além
vou escutar o sopro do vento sem a menor pressa
sem a pressão de lembrar-se da vida
pra eu me perder nas lembranças à beça
e de toda despedida
que me fez soluçar
não vai ter dia ruim
quando eu voltar
pra dentro de mim

segunda-feira, 8 de março de 2010

licença prum breque
e eu me escorregar pela garoa
solto como se fosse pouco
e estivesse envolto
pela paz

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

abro meus ouvidos
de certa forma inquietos
por tamanho egoísmo
vicioso,
ardiloso,
duro como quadrados retos
postos lado a lado,
quando amanheço, com o sol rasgando meus olhos,
como se numa prisão, enquadrado, fosse esquecido

tiranos sentimentos meus que sequer me dão bom dia
e já me acordam aos prantos
quando me propus a olhar minhas mãos
bolhas e calos abafavam o que outrora era verdade
uma verdade tão cega quanto a mentira contada
em cada pedaço de folha
escrita, rasgada
ou algo que o valha